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Os últimos dias foram intensos nos bastidores do SBT com muitas especulações sobre o futuro da emissora diante do rombo no banco Panamericano. As histórias mais diferentes circularam pelos corredores e algumas com um tom de verdade jamais visto na Anhanguera, numa prova concreta de como boatos se transformam em fatos. O primeiro deles diz que o SBT está à venda e que muitos empresários estão interessados na emissora. A segunda parte da frase pode até ser verdadeira, afinal sempre há quem esteja de olho no mercado visando seus negócios, mas dificilmente Silvio Santos irá se desfazer da “menina de seus olhos”.
Ele vai cobrar alto pelo sonho construído durante o tempo, o sonho da fábrica de emoções, o palco de suas brincadeiras e das estrelas contratadas. Outro boato envolve a venda de horários para igrejas evangélicas. Propostas já foram oferecidas a Silvio Santos, mas nenhuma aprovada porque o empresário acredita que esta é a última opção na conquista de dinheiro. Pode ser que aconteça, num futuro não muito distante.
Em todas as discussões sobre o futuro do SBT algo é unanimidade: “o grande patrimônio da emissora de Silvio Santos é o envolvimento emocional de seus funcionários e público”, ou seja, uma capacidade de unir as mais diferentes pessoas para a reconstrução de uma grade capaz de buscar audiência, credibilidade e investimentos publicitários. Alguns esforços já foram tomados e os principais envolvidos com a programação demonstraram a vontade de lutar em 2011 pelo SBT.
Para que as coisas se concretizem será fundamental um processo de profissionalização na emissora, o afastamento de alguns que já provaram que não entendem muito de SBT (não confundir com televisão), uma atitude mais agressiva de comunicação e marketing e o desenvolvimento de uma grade popular e atraente, com atrações capazes de resgatar a força de uma “Casa dos Artistas”, não para bater a Globo como fez no passado, mas para reconquistar telespectadores.
É ascendente a audiência de “Ribeirão do Tempo”. O folhetim escrito por Marcílio Moraes conseguiu virar o jogo e vem conquistando excelentes índices.
De acordo com dados preliminares na Grande São Paulo, nesta semana, entre os dias 08/11 e 12/11, a trama registrou uma média de 14 pontos. O melhor desempenho semanal desde sua estreia, em maio.
“Ribeirão do Tempo”, de segunda a sexta, às 22h15, na Record.
O apresentador conta como foi negociar uma operação de salvamento para o banco PanAmericano e diz que, aos 80 anos, vai buscar energia para continuar trabalhando
A quebra fraudulenta do banco PanAmericano, de Silvio Santos, é tema de reportagem especial da revista VEJA desta semana. Leia a seguir trecho da entrevista exclusiva que o apresentador concedeu ao diretor de redação Eurípedes Alcântara, no qual ele conta como negociou o salvamento do banco e diz que, aos 80 anos, resolveu adiar os planos de aposentadoria.
O senhor quebrou?
Eu não. Meu banco quebrou. A holding não foi afetada, continua muito saudável, as empresas estão bem administradas e com excelente valor de mercado.
Como o apresentador Silvio Santos soube que o empresário financeiro Silvio Santos estava em apuros?
Era o dia 11 de setembro, um sábado de gravação como outro qualquer. Em um dos intervalos me entregaram um telefone celular e disseram que era urgente. Pensei nas minhas filhas. Elas estavam viajando, e fiquei preocupado. Não eram elas. Era o presidente da holding. Ah não…! Em sábado de gravação não falo sobre questões empresariais. Mandei-o ligar depois. Bem, era a questão do PanAmericano. Disseram-me que o Banco Central já estava trabalhando lá dentro fazia três semanas e que tinha sido encontrado um rombo contábil bilionário. Foi um baita susto. Como o Banco Central estava havia três semanas em meu banco e não me informam de nada? E as auditorias que davam tudo como perfeito? A Deloitte, a KPMG e os analistas do Banco Fator, que fizeram uma avaliação do PanAmericano, nada encontraram. Como acionista, eu recebo relatório mensal sobre o banco, o RGA, e não havia o menor sinalde irregularidade.
Bem, agora o senhor deve 2,5 bilhõesde reais. Como vai pagar essa quantia, que é uma fortuna mesmo para seus padrões?
Acho que negociei bem com o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Eles queriam que eu pagasse juros sobre aquele valor. Eu disseque juros eu não pagaria. Aceitei apenas corrigir o desgaste inflacionário em cima do dinheiro. Tenho dez anos para pagar, com três anos de carência. Isso significa que a primeira parcela vence em junho de 2014. Até lá, tenho só de cobrir a inflação. É uma pancada, mas posso pagar desde que venda algumas de minhas empresas, a participação no banco…
O senhor venderia até a emissora?
A televisão não vendo. Vou fazer de tudo para não vender. Mas, as demais empresas, por que não? Estou com quase 80 anos e não tenho interesse especial em bancos ou indústrias de cosméticos. Posso vender empresas e ficar com a televisão, que penso em deixar para minhas filhas que se interessam por comunicações. Uma delas, a Daniela, já mostrou que gosta de televisão.
Não é desanimador construir um império do nada e, aos 80 anos, ter de se desfazer dele para pagar dívidas?
Eu estava pensando em me aposentar no ano que vem. Claro, né? Só faltava eu apresentar o programa já velhinho e de bengala. Vou adiar o plano de aposentadoria. O problema com o banco me fez buscar energias para entender o que está acontecendo e para negociar. Não tenho por que estar abatido. Meu banco quebrou, mas não dei prejuízo a ninguém, não peguei dinheiro público, ofereci garantias de sobra pelo empréstimo e ainda tenho dez anos para pagar.